Centro evolui acolhimento de vítimas de violência e lança projeto Camufinho para crianças

Centro de Atendimento à Mulher e à Família resolveu lançar um projeto focado nas crianças vítimas de trauma, chamado Camufinho “Geração Futuro Feliz”.

Por: Nathacha Dantas

 Foto: Philippe Gomes/Secom
Projeto promove acolhimento humanizado através das oficinas terapêuticas e intervenção social e psicológica

Nesta quinta-feira, 29, o Centro de Atendimento à Mulher e à Família (Camuf) realizou a 1ª edição do Projeto Camufinho “Geração Futuro Feliz”, reunindo às famílias em situação de violência doméstica e familiar atendidas pelo centro. A programação contou com palestras, dinâmicas, teatro, pintura de rosto, distribuição de brindes e apresentação do espaço voltado ao atendimento de crianças e adolescentes.

O foco é prevenir e combater o ciclo de violência familiar, no qual os filhos são expostos aos diversos tipos de violência gerados no contexto da desestruturação familiar e instabilidade emocional, psicológica, moral e patrimonial que pais e filhos enfrentam.

Uma das acolhidas pelo Camuf – que será tratada nesta matéria com o nome fictício de “Ana Julia” -, há dois anos faz terapia com o filho de apenas dois anos. A jovem de 24 anos, decidiu buscar ajuda após ser agredida pelo marido.

“Eu cheguei aqui devastada com tudo que passei, mas encontrei paz e amor em cada um que me recebeu. O que mais me dói é pensar que o meu filho pode ficar com algum tipo de trauma por conta de todas as cenas de violência que ele presenciou. E é por isso que estamos aqui para tratar de nossa saúde emocional”, desabafa “Ana Júlia”.

A psicóloga Cláudia Henrique explica que o Camufinho nasceu da necessidade de acolhimento e atendimento humanizado, criando um momento para reflexão e sensibilização através das oficinas terapêuticas e intervenção social e psicológica. “O momento lúdico e de interação entre eles é uma etapa essencial. É brincando que a criança se expressa, que o profissional consegue extrair os sentimentos mais profundos e identificar o que ela pode estar vivenciando dentro de casa”, explicou.

A secretária Extraordinária de Políticas para as Mulheres, Wellen Azevedo, ressalta que a dependência emocional e econômica cria comportamentos bastante desagregadores nos vínculos e nas relações familiares. “Os filhos são os que mais sofrem, se faz necessário ressignificar o convívio familiar”, observa a gestora.

Atendimento

Atualmente, cerca de 180 menores, entre crianças e adolescentes, filhos de mães em situação de violência recebem atendimento no Camuf. Em média, vinte novos acolhimentos são registrados, mensalmente no Centro, que fica localizado na Rua: São José, nº 1570 (esquina com a Rua: Rio Juruá, ao lado da Delegacia das Mulheres), no Centro de Macapá.

A permanência é de acordo com a necessidade. Nos casos mais delicados, as sessões de terapia são realizadas uma vez por semana e, conforme a evolução dos quadros, a rotina vai diminuindo até chegar ao total desligamento.

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 Créditos:Philippe Gomes/Secom

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