Ir a um show da Anitta hoje em dia tornou-se um exercício de paciência e, para muitos, uma experiência de indignação. O que deveria ser um momento de lazer e celebração da música brasileira transformou-se em um cenário onde o excesso e o desrespeito ao consumidor caminham lado a lado.
A Sexualização como Cortina de Fumaça
No palco, o que se vê é uma exposição deliberada de conteúdo sexual que, muitas vezes, ultrapassa a barreira do artístico para flertar com o gratuito. Embora a liberdade de expressão seja um direito, questiona-se até que ponto a performance foca no talento musical ou se usa o choque visual para mascarar a falta de entrega em outros aspectos da experiência.
O Preço Amargo do Ingresso
O primeiro obstáculo é o bolso. Os preços dos ingressos atingiram patamares abusivos, muitas vezes incompatíveis com a infraestrutura oferecida. Paga-se o valor de um festival internacional para, frequentemente, enfrentar:
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Falta de segurança: Relatos de furtos e roubos dentro e fora do evento são alarmantes, transformando a diversão em medo constante.
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Exploração no consumo: O valor das bebidas é outro ponto de revolta. Cobrar preços exorbitantes por água e cerveja em um ambiente de calor extremo é mais que estratégia de lucro; é falta de empatia com o fã.
O Fã como “Cifrão”
A sensação que fica é que o público deixou de ser fã para ser apenas um número em uma planilha de faturamento. Quando o valor do ingresso não se traduz em segurança, conforto e respeito, o “show” acaba muito antes da última música. A arte não deve servir de desculpa para a exploração econômica e a negligência com o bem-estar de quem sustenta a carreira da artista.
