Acordo facilita visto de trabalho para brasileiros na França

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(FILES) This file photograph taken on September 12, 2017, shows policemen and French soldiers of "Operation Sentinelle" security mission as they patrol on the Trocadero Square in front of the Eiffel Tower in Paris. 'Operation Sentinelle', set up after the attacks in January 2015, was once again the target of what is considered as a terrorist attack on early September 15, 2017 in Paris. A man armed with a knife assaulted a soldier on patrol in a subway station, without causing any injuries. / AFP PHOTO / LUDOVIC MARIN

Válido a partir de quinta-feira, programa entre governos brasileiro e francês concede entrada para interessados em experiência profissional

Entra em vigor amanhã um acordo bilateral entre Brasil França que facilitará a concessão de visto para trabalhar no exterior. O programa beneficiará jovens de 18 a 30 anos, que terão entrada permitida durante um ano, em viagens que tenham como objetivo tanto turismo quanto experiência profissional.

 

Para ter o visto concedido, é necessário apresentar uma carta de motivação e currículo em francês. O interessado deve comprar a passagem de volta ou comprovar que dispõe de dinheiro para o retorno, além de recursos financeiros suficientes para pagar pela estadia no início da viagem. Não é permitido viajar com crianças.

 Torre Eiffel, um dos pontos icônicos de Paris Foto: Ludovic Marin/AFP

No caso dos brasileiros , o pedido de visto deve ser feito junto à representação diplomática ou consular da França. Há sedes no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo.

No Brasil há sete meses, o francês Basile Charpentier, de 23 anos, está pensando em aproveitar a oportunidade para ficar mais. Como veio ao País para fazer um curso de mestrado em Administração em Belo Horizonte, em Minas, seu visto não permite que ele trabalhe.

O dinheiro que economizou para a viagem deve durar só para os próximos seis meses, período em que Charpentier ainda estará matriculado no curso. Com o novo acordo, ele agora pretende pedir um novo visto logo em seguida à formatura.

“Acho que, para mim e para muitos outros franceses que conheci em São Paulo, esse visto ajuda muito as pessoas”, diz o administrador. “Fiquei apaixonado pelo País, a cultura e as pessoas. Estou muito feliz pela criação desse visto.”

Aumento

Segundo a agência de intercâmbios EF, a procura pela França como destino aumentou nos últimos anos, embora isso não esteja relacionado com a aprovação do programa. A capital francesa, Paris, foi um dos cinco destinos mais procurados por brasileiros na região Nordeste em 2017. A agência destaca que o visto temporário que permite trabalho integral, sem que o candidato esteja estudando, é uma diferença importante em relação às regras anteriores entre os dois países.

“Acreditamos que parte das oportunidades estejam relacionadas à área de formação e interesse do profissional”, diz Andrea Arakaki, diretora geral da agência no Brasil. “Ainda é difícil prever na prática qual será o nível de abertura no mercado de trabalho francês para os profissionais brasileiros, mas estamos otimistas.”

O programa não exige que o candidato saiba falar francês, mas dá preferência a quem conhecer a língua. Grau de escolaridade e facilidade no idioma devem ajudar quem quer ficar. “Acreditamos que será um diferencial no momento de encontrar oportunidades profissionais”, diz Andrea.

 

PING 

Andrea Tissenbaum, especialista em educação internacional e autora do Blog da Tissen

Há outros países que oferecem oportunidades semelhantes a brasileiros? 

Sim. A Nova Zelandia há anos oferece o programa Working Holiday Visa. O programa é resultado de um acordo da Nova Zelândia com o Brasil e abre inscrições anualmente (em agosto), concedendo um determinado número de vistos para que brasileiros possam visitar e trabalhar no país por até um ano.

Como se planejar para a mudança de país, levando em consideração o prazo de permanência? 

Eu penso que é sempre bom aproveitar uma oportunidade dessas para fazer um ou mais cursos de curta duração – aprimoramento de idioma, cursos mais especializados, etc.

Por isso, é fundamental fazer um planejamento antes de ir, um mapeamento das cidades onde a pessoa pensa em viver. Entender o que cada lugar oferece em termos de aprendizado, estilo de vida, possibilidades de estudo e de trabalho é importante antes da partida. Ter essas informações ajuda a pessoa a se organizar e certamente a aproveitar melhor o tempo que terá no país. Por exemplo, como a duração do trabalho com esse visto pode ser limitada, pensar em viver por temporadas curtas em diferentes cidades do país é uma opção muito interessante. É uma maneira de conhecer vários aspectos e formas de vida na França, certamente uma exposição bem enriquecedora para quem vai.

É recomendável embarcar sem dominar o idioma, para aprender a falar já no país? 

É sempre bom chegar em um novo país onde se vai ficar por uma temporada mais prolongada com um conhecimento mínimo do idioma local. Não digo que é necessário ter fluência ou um nível avançado no idioma, falo do necessário para poder se virar – comer, andar de ônibus etc. – como um gatilho que dá abertura ao aprendizado. É uma forma de evitar o isolamento em comunidades de brasileiros fora do país e um convite à imersão cultural que o intercâmbio de um ano se propõe a oferecer. Para quem não tem nenhum conhecimento da língua, sugiro fazer um intensivo antes de partir – por conta própria ou em um curso presencial ou online. Vai se sentir mais seguro ao chegar e conseguir um trabalho será mais fácil.

No entanto, também acho que a oportunidade de aprender melhor ou aperfeiçoar-se no idioma deve ser aproveitada. Afinal, esta é uma chance bem única de mergulhar em uma nova cultura, aprender os códigos locais e trazer de volta os melhores frutos da experiência.