Amapá comemora os 236 anos da Fortaleza de São José de Macapá

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Solenidade reuniu representantes da cultura local como marabaxeiros e capoeiristas; combatentes da antiga Guarda Territorial do Amapá
 

 Foto: José Baía
Momento do corte do bolo, que celebrou oficialmente os 236 anos da Fortaleza de São José de Macapá

O Museu Fortaleza de São José de Macapá comemora 236 anos nesta terça-feira, 19. O governo estadual organizou uma série de atividades para celebrar o aniversário do monumento, que é considerado a maior fortificação do Brasil, além de ser um Patrimônio Material Nacional.

A solenidade reuniu representantes da cultura local como marabaxeiros e capoeiristas; estudantes, professores e combatentes da antiga Guarda Territorial do Amapá, instituição que, no passado, foi responsável pela segurança do monumento.

“Estamos aqui para celebrar o aniversário deste monumento que representa a história e a cultura de nosso Estado”, ressaltou o secretário de Estado da Cultura, Dilson Borges. A celebração teve o corte do bolo de aniversário, seguido de apresentações artísticas de teatro, shows musicais, dança, poesia e apresentações de capoeira e marabaixo.

O servidor público Eli Ramos levou a família para visitar a aniversariante. “Hoje é um dia especial, então fiz questão de vir com toda família, mas visitar à Fortaleza é um hábito, porque acredito que é uma forma de valorizar o que é nosso”, explicou Ramos.

Um dos momentos mais marcantes da celebração foi a apresentação de quatro alunas da Escola Estadual Serafim Costaperária. Iasmin Silva, 9 anos, Eloá Yasmin, 9 anos, Ana Maria Gibson, 7 anos e Tainá Oliveira, 9 anos, encantaram a todos ao homenagear o monumento com poesia escrita por elas mesmas.

Eloá era a mais empolgada das crianças. E com razão: ela nasceu no aniversário do forte. “Devemos nos orgulhar da Fortaleza porque nela está parte de nossa história”, ressaltou a pequena, que completou 9 anos de idade.

Ao longo do dia, quem for ao monumento também poderá participar de visitas monitoradas e exposições de quadros. Os visitantes podem tirar dúvidas sobre o monumento com o monitor Hermano Araújo, 66, que é historiador e técnico em Educação Patrimonial. Ele trabalha há 22 anos na fortificação e desenvolve um trabalho chamado “Aprender na Fortaleza”, cujo objetivo é discutir a história da fortificação com estudantes desde a pré-escola até a universidade. Para ele, o forte é uma fonte de conhecimentos.

“Visitar a Fortaleza e conhecer detalhes sobre este monumento é uma verdadeira aula de história do Amapá e do Brasil. Ao conhecer a fortificação, é possível assimilar conceitos, como por exemplo, o de guerra, e aprender sobre equipamentos militares. Sua construção também nos permite entender o processo de mão-de-obra escrava que fez parte da história moderna”, explicou o historiador.

História

O gerente da Fortaleza de São José de Macapá, Francisco Siqueira, explica que o monumento foi erguido pelos portugueses durante o século XVIII e inaugurado em 19 de março de 1782 – mesma data em que se comemora do Dia de São José, padroeiro do Amapá.

 

“Nas antigas fortificações construídas pelo Império Português, utilizava-se o calendário católico e havia o hábito de dar às obras o nome do santo daquele dia, por isso este monumento se chama Fortaleza de São José, é uma homenagem ao santo”, ponderou Siqueira destacando que a construção teve como objetivo proteger a Amazônia de uma possível invasão francesa – que nunca ocorreu.

Contudo, o monumento foi palco da batalha “Red Bull BC One”, uma das maiores disputas de hip-hop “homem a homem”, ocorrida em 2017 com apoio do Governo do Amapá, para fortalecer o movimento no Estado. Na oportunidade, o Iphan impôs algumas limitações para assegurar a preservação do local, como a estipulação do número máximo de 500 pessoas no interior da área e a proibição de qualquer tipo de perfuração nas paredes (horizontal e vertical).

Reconhecimento da Unesco

Devido a sua importância histórica, desde 2015, a Fortaleza integra a Lista Indicativa do Patrimônio Mundial elaborada pelo Iphan e enviada à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco). O documento reúne 19 monumentos históricos brasileiros candidatos ao reconhecimento em 2021.

A indicação da Fortaleza de São José foi discutida durante uma oficina realizada pelo Iphan em setembro de 2017, no qual estabeleceu-se uma matriz de responsabilidades e um cronograma de trabalho relacionados aos encaminhamentos para a candidatura. Desta forma, desde o ano passado o monumento e seu entorno passam por obras de restauração e revitalização que incluem a parte elétrica, iluminação, revitalização de banheiros, dos espelhos d’água, da casamata, do playground e troca de transformadores. Os recursos somam R$ 3 milhões e são do Tesouro Estadual.

De acordo com Siqueira, o reconhecimento mundial do valor histórico do monumento é de extrema importância para sua preservação. A medida trará maior visibilidade à obra arquitetônica, trazendo benefícios como o fortalecimento da cultura e do turismo local, além de maior inclusão do ensino da história da Fortaleza na rede escolar.

Fortaleza

Localizada em uma área extensa de quase 30 mil metros quadrados à margem esquerda da foz do Rio Amazonas, a Fortaleza de São José é um dos mais antigos pontos turísticos da capital amapaense. Por ano, recebe, em média, 70 mil visitantes. Foi tombado pelo Iphan em 22 de março de 1950, e elevado à categoria de museu em 2007.

A consequência mais marcante da construção da Fortaleza foi a criação e desenvolvimento da Vila de São José de Macapá, que deu origem à capital amapaense. Atualmente, a Fortaleza de São José funciona de terça-feira a domingo, de 9h às 17h.

Andreza Teixeira