Biblioteca Elcy Lacerda comemora 73 anos de existência

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Governo do Estado organizou uma programação especial para celebrar as sete décadas de preservação da memória cultural do Amapá por meio da instituição.
Por: Nathacha Dantas

 

 Foto: José Baía / Secom
Programação para celebrar os 73 anos da Biblioteca durou cinco dias, com direito a corte do bolo, no encerramento

A Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda completou 73 anos de fundação, nesta sexta-feira, 20. O governo do Estado organizou uma programação especial que iniciou na segunda-feira, 16, em comemoração ao Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado no dia 18 de abril e finalizou nesta sexta com a celebração do aniversário de fundação do órgão. O espaço recebeu um público de aproximadamente 2 mil pessoas durante os cinco dias de atividades.

A instituição possui um importante papel de informar e incentivar a leitura, além de preservar a história e cultura amapaense. Ao longo dos anos, a instituição educacional tornou-se também um ambiente onde se concentra toda a forma de manifestação cultural.

De acordo com o diretor da biblioteca, José Pastana, o órgão está com vasta programação como oficinas de texto, teatro, música, artesanato, artes visuais e outros segmentos. Com o período de concursos públicos, foi criado também um projeto social intitulado “concurseiros unidos”, aberto às pessoas que querem se preparar. Os encontros acontecem todos os dias, das 18h às 22h, na Elcy Lacerda.

Como forma de atrair frequentadores e divulgar a grade de atividades da biblioteca, há um ano, foi firmada uma parceria entre funcionários do órgão e radialistas e nasceu o Programa “Biblioteca no Ar”, que vai ao ar às segundas-feiras, das 9h às 10h, pela Rádio Difusora de Macapá.

“Com essa diversidade, a instituição é considerada uma espécie de point da cultura. Onde acolhe os artistas regionais, divulgando o trabalho, cedendo o espaço para eventos deles e, em contrapartida, nas programações realizadas pela administração, temos um gama de artistas que se apresentam de forma voluntária. Parceria que tem nos mantido”, afirma Pastana.

Programação

Pela manhã, a programação foi especialmente voltada ao público infantil. Durante as comemorações, as crianças participaram de diversas atividades como apresentações de grupos teatrais, círculos de leituras, narração de histórias, apresentação de dança, músicas e personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo, obra de Monteiro Lobato, saudoso escritor brasileiro de histórias infantis, também recordado no dia 18 de abril.

À tarde, o momento foi de celebração do aniversário de fundação da Biblioteca Pública, com a participação dos segmentos culturais, educacionais, sociedade e entrega de comenda a autoridades, colaboradores e voluntários. O evento foi marcado pelo tradicional corte do bolo, regado pelas apresentações culturais.

O ator e professor de artes, Carlos Lima, que há 19 anos contribui com as atividades do órgão no Estado, foi um dos 50 homenageados. Carlos faz parte da equipe de contadores de histórias, e duas vezes na semana, traz a alegria aos pequeninos com sua performance.

“Eu trabalho exclusivamente com a literatura infanto-juvenil. Aqui eu sou voluntário, ganho aplausos e o que tenho como recompensa são a alegria e o amor das nossas crianças”, descreveu o artista.

Participaram ainda do evento o secretário de Estado da Cultura, Dilson Borges; o deputado federal Cabuçu Borges e o presidente da Academia Amapaense de Letras (AAL), professor Nilson Montoril. A academia realiza suas reuniões, mensalmente, no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, onde os 22 membros discutem a respeito dos projetos literários amapaenses.

Sete décadas da “Biblioteca Viva”

Fundada em 20 de abril de 1945 e, atualmente conta com um acervo de aproximadamente 60 mil itens, entre livros, CDs, DVDs, e periódicos (revistas, jornais e diários). Também guarda um acervo de obras raras, que vão desde coletâneas escritas na década de 70, bem como, exemplares dos jornais Pisônia e Amapá- os primeiros a circularem no Estado na década de 80.

A pedagoga Socorro Santos, que há dez anos é funcionária da biblioteca pública, conta que sua relação com os livros surgiu há 40 anos.

“Desde meus 16 anos sou frequentadora assídua daqui. E naquela época a estrutura era muito diferente, não tinha toda essa comodidade, para vir para cá a pessoa tinha que ser apaixonada pela leitura”, relembra Socorro.

Anos depois, ela tornou-se pedagoga e familiarizou- se tanto com o ambiente literário que sua meta de vida passou a ser trabalhar na biblioteca, mas o sonho demorou em se concretizar. “Eu trabalhava em uma escola de ensino infantil, e como não sou bibliotecária, consegui minha transferência para o órgão depois de muitos anos de persistência. Mas essa jornada valeu muito apena. Ensinar essa geração a se apaixonar pelo conhecimento não é um trabalho é uma missão de alma”, relata emocionada.

Com a ampliação de atuação a biblioteca, constitui-se como uma ‘biblioteca viva’. Ou seja, um local onde se concentra toda a forma de manifestação cultural, conforme entendimento do Ministério da Educação, Ministério da Cultura e Unesco.

Porém, não perdeu a identidade de um ambiente feito para leitura, estudos, de suporte à pesquisa. De acordo com o controle de visitas diárias, 70% dos frequentadores da biblioteca são estudantes do ensino médio e universitários.

O espaço possui 16 salas temáticas para estudos e pesquisas: a Amapaense (livros e documentos com assuntos e temáticas do Amapá e da Amazônia); Sala Afro-indígena; Sala do Ensino Médio e Superior; Sala Circulante (com obras literárias nacionais e estrangeiras disponíveis para leitura e empréstimo domiciliar); Sala de Artes; Sala Infanto-juvenil (que conta com o Grupo de Contadores de Histórias) e duas Salas com Jornais e Periódicos (com destaque para a Sala de Obras Raras); uma Sala de Braille e a Reserva Técnica (onde os livros são recebidos e distribuídos às salas).

Mensalmente são realizados os eventos ‘encontro com o escritor’, ‘roda viva’ e contação de histórias, principalmente, em datas comemorativas e, durante a semana, acontecem os cursos de xadrez; teatro e curso preparatório para concursos públicos.

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 Créditos:José Baía / Secom

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