Boas práticas de manejo animal abre as discussões sobre melhoramento da bubalinocultura – Correio Amapaense

Boas práticas de manejo animal abre as discussões sobre melhoramento da bubalinocultura

Pesquisadores apresentaram técnicas usadas no Pará e que podem ser adotas pelos pecuaristas amapaenses.

 

 Foto: Maksuel Martins/Secom
Para falar sobre o tema, foram convidados pesquisadores da Embrapa Amapá e Pará, especialistas da Ufra e pecuaristas paraenses

A mesa redonda Boas Práticas de Manejo Animal abriu a programação de palestras e oficinas que serão ofertadas dentro da programação da 1ª ExpoBúfalo, evento que o Governo do Amapá realiza no parque de exposição da Fazendinha.

Com a certificação “livre de febre aftosa com vacinação”, o Amapá, que possui o segundo maior rebanho bubalino do país, vive a expectativa de aumentar a cadeia produtiva de búfalos. Por isto, a discussão sobre as formas de reprodução deste animal passa ter foco central.

Para falar sobre o tema, foram convidados pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do Amapá e do Pará, além de especialistas da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e pecuaristas paraenses. Eles debateram com produtores do Amapá as técnicas de manejo sanitário, nutritivo e produtivo.

O pesquisador da Embrapa Amapá, Daniel Montagner, explicou que a eficiência reprodutiva do búfalo está diretamente ligada ao peso do animal. Essa condição corporal possui um índice avaliativo, que varia de 0 a 5 – onde a nota mínima significa que está muito magro, e 5 que está muito gordo. “O ideal é que o animal esteja entre 3 e 4, nesta classificação”, completou o pesquisador.

Ele apresentou uma tabela de desempenho, para identificação da vida do animal que demonstra a pesagem desde o nascimento do animal. A nutrição também foi debatida e teve como palestrante o zootecnista e professor da Ufra, Cristian Faturi, que falou da importância da alimentação.

O Amapá é conhecido por ter gado verde, referência dada por conta de os animais se alimentarem apenas com capim, mas trabalhar a nutrição garante que um animal de porte físico bom para abate e enriquece as vacas para uma melhor qualidade leiteira. Além do mato, o milho e a soja foram apontados pelo especialista com suprimentos que podem favorecer no melhoramento nutricional do animal.

Pesquisador sobre bubalino há 15 anos, o médico veterinário e chefe do núcleo de búfalos da Ufra, Rinaldo Viana, destacou que, os bubalinos, principalmente as vacas, são propícias às doenças infecciosas e que, para evitá-las, é necessário o controle sanitário através de vacinas. Para isso é necessário que o produtor adote em sua propriedade uma gestão de sanidade animal.

Segundo ele, adoção de medidas de bioseguridade previne doenças incidentes durante a gestação e infecciosas, como a brucelose e a leptospirose. Ele apresentou ações a serem seguidas pelos pecuaristas. “Primeiro, é preciso monitorar o parto. Para isso, é necessário se adotar piquetes-maternidades, onde a fêmea ficaria isolada para o monitoramento do período de gestação. Em áreas de várzeas, essa medida requer mudança do período de nascimento desses animais, para que nasçam em época mais propicias para um efetivo manejo sanitário”, acrescentou.

Segundo ele, isso é possível de ser feito com a adoção de biotécnicas aplicadas a reprodução, onde se pode desestacionar a búfala e concentrar para que a parição fique a propiciar a um determinado período. Esse tipo de técnica ajuda a prevenir algumas doenças que ocorrem durante o processo de parição.

O diagnóstico da gestação foi outro ponto apontado pelo especialista como ajuda à prevenção de doenças e enfermidades. “Se a búfala não ficou prenha, houve uma morte embrionária, ela precisa ser ressincronizada”, frisou. Exames periódicos é o outro passo para ter animais.

Atento a tudo, o estudante do 4º ano do curso técnico em agropecuária da Escola Família Agrícola do Pacuí, Fernando Reis, gostou dos procedimentos apresentados. Ele é filho de um pequeno produtor bubalino do município de Cutias. “Essas novas técnicas são importantes para a melhoria do nosso rebanho”, destacou.

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 Créditos:Maksuel Martins/Secom

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