Em Brasília, deputada Cristina Almeida destaca os anseios das mulheres negras

“As mulheres negras querem o mínimo que se pode exigir numa sociedade democrática: Justiça, Direito e oportunidades!”, destacou a deputada estadual Cristina Almeida (PSB/AP), na audiência pública realizada nesta quarta-feira (21), em Brasília, que debateu os desafios e as perspectivas da promoção da Igualdade Racial na Educação, em alusão a Semana da Consciência Negra.

A parlamentar exaltou as vozes das mulheres pelo fim da violência contra a mulher, sofrida com frequência maior pelas mulheres negras. Segundo Cristina, a violência doméstica é tema ainda naturalizado pelas instituições públicas e pelos parlamentos brasileiros, mesmo estando no ranking das denúncias feitas em todas as delegacias.

Dados mostram que 59,4% das mulheres que sofrem violência doméstica são negras. De acordo com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as mulheres negras são as maiores vítimas de mortalidade materna (62,8%) e da violência obstétrica (65, 9%). Quanto ao feminicídio, elas têm duas vezes mais chances de serem assassinadas.

“Precisamos abordar o tema da violência doméstica dentro da Educação, a exemplo da Lei Espanhola de Combate a Violência Doméstica que é a melhor do mundo, por estabelecer o mecanismo de formação humana através do sistema de ensino integrado, com inserção de matérias desde o ensino fundamental até o ensino médio”, ressaltou.

Quando se trata de oportunidades, as mulheres negras no Brasil são 55,6 milhões, 41,1% das famílias negras e recebem, em média, 58,2% da renda das mulheres brancas, de acordo com os dados do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça. Nesse quesito, Cristina disse que esta é uma realidade vivenciada, na qual há um diferencial de tratamento às mulheres negras e o debate vem somar neste momento de reflexão.

“Através da educação nós vamos mudar esta realidade, não existe outro mecanismo. As pessoas não nascem racistas, elas são ensinadas a serem racistas. Isso não é normal. E quando podemos mudar esta realidade através de leis, ainda são vistas como polêmicas”, finalizou.

Comporam a mesa de debates o autor do requerimento que solicitou a audiência, deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE); Valneide Nascimento – representando o Instituto Inaô; José Antônio Rufino – Secretário de Promoção da Igualdade Racial de Pernambuco; Maura Cristina da Silva – Ativista das Mulheres Negras do Brasil; Victor Nunes Gonçalves – Secretário de Política de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal.

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Comunicólogo e Jornalista por formação, Rádio-apaixonado e Social Media. 23 anos. Fazendo a segunda graduação na Universidade Federal do Amapá, acadêmico de Letras/Francês.

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