Fazenda da Esperança será inaugurada em julho de 2018 no Amapá

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O frei Hans Stapel, um dos fundadores da Fazenda da Esperança, confirmou para julho de 2018 a inauguração de uma unidade da Fazenda da Esperança no Amapá. A notícia foi dada no encontro ocorrido no fim da tarde de sexta-feira (2), com os integrantes das comissões de Segurança Pública e de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado, em uma das casas da Fazenda, em Guaratinguetá, interior de São Paulo.

A confirmação pelo frei Hans Stapel só foi possível depois que o bispo de Macapá, Dom Pedro Conti, informou sobre a aquisição de um terreno pela Diocese. A área de aproximadamente 100 hectares fica na divisa entres os municípios de Santana e Mazagão, no sul do Amapá.
19“Recebemos essa informação do bispo e confirmamos a inauguração para julho. Agora, é preciso que o Parlamento estadual peça ajuda da bancada federal para conseguir emendas com o objetivo de estruturar o espaço para receber os acolhidos no estado”, orientou o frei Hans.

O presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Jory Oeiras (PRB), com os demais integrantes da comissão, Janete Tavares (PSC), Charles Marques (PSDC), Augusto Aguiar (MDB), e mais o presidente da comissão de Direitos Humanos, Jaci Amanajás (PV), se comprometeram em buscar recursos junto ao Estado ou até mesmo fazer com que o poder Legislativo firme convênio com a Fazenda da Esperança para garantir o andamento das obras. “É algo viável e temos como fazer”, ponderou Jory Oeiras.

Segundo Hans Stapel, apenas dois estados brasileiros não contam com uma unidade da Fazenda da Esperança; Amapá e Rondônia. De acordo com Jaci Amanajás, o Parlamento tenta desde 2007 levar uma unidade da Fazenda da Esperança para o Amapá.
21“Em 2007, o Frei Hans, fundador da Fazenda, esteve no estado para ver uma área de 200 hectares, que tinha sido doada pelo então deputado estadual Lucas Barreto. Mas o projeto emperrou porque as terras não eram titularizadas; e, somente agora, por meio da Diocese, conseguimos a área e a confirmação que teremos uma unidade em nosso estado”, lembrou Jaci Amanajás.

Para o deputado Charles Marques, a chegada da Fazenda ao Amapá é a certeza de que será dada nova oportunidade aos jovens e todos os dependentes químicos de encontrar um novo caminho para a vida e conhecer melhor a força da palavra de Deus. “Eles irão aprender a viver de uma forma diferente, irão conhecer o evangelho, o verdadeiro sentimento de respeito ao próximo, de amar o outro e, no futuro, serão eles a passar esse conceito aos outros acolhidos”, ressaltou.
18Janete Tavares e Augusto Aguiar aproveitaram para agradecer ao frei Hans e Nelson pela oportunidade de plantar no Amapá a semente da esperança pelo amor a vida por meio da espiritualidade, convivência e trabalho.

Participaram também o leigo consagrado Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, um dos fundadores da comunidade terapêutica, e Adalberto Barbosa, da gerência de projetos. O encontro foi agendado pelo representante Institucional da Assembleia Legislativa em Brasília, Elpídio Amanajás.

O projeto

Com mais de 30 anos, a Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica de recuperação de dependentes químicos, de reabilitação de toxicodependentes de álcool e drogas, como também de jogos e outras dependências.
24Considerada a maior obra da América Latina com essa atividade de ajudar milhares de famílias, a comunidade terapêutica está presente em 18 países. No Brasil, conta com 130 unidades e conta com o apoio de voluntariados. Seu trabalho se baseia no tripé: convivência em família, trabalho como processo pedagógico e espiritualidade para encontrar um sentido de vida.

Segundo o frei Hans, a metodologia adotada pela Fazenda proporciona aos acolhidos a encontrarem suas vocações, e muitos deles acabam integrando a Associação Internacional de Fiéis, conhecida como a Família da Esperança. São eles – que por meio de missões – levam aos jovens do mundo inteiro a esperança e a palavra de Jesus Cristo.
25Com mais de 30 anos de experiência na recuperação de dependentes químicos, o frei Hans sustenta a didática desenvolvida pelo projeto e dispara: “Onde tem cura, não se discute os méritos; o importante é ser recuperado e curado”. “Problema social tem uma entrada, mas também, tem que ter uma saída”, assegura.

O tempo de permanência é de um ano. Após esse período, os acolhidos retornam para as suas casas e reencontram a família e levam a mensagem do evangelho. Alguns retornam a Fazenda e passam a ser voluntários, além de participarem de missões onde ajudam na recuperação de outros dependentes com a mesma receita: espiritualidade, convivência e trabalho.

Instalações

Para aplicar a mesma metodologia, uma exigência dos fundadores, os deputados conheceram as instalações das 10 casas que formam a Fazenda Mãe da Esperança. No projeto Mãe com filhos, na casa denominada Irmã Bernadete, os integrantes das comissões puderam ver como é a convivência. Algumas convivem com os filhos, outras apenas recebem a visita deles.

Na comunidade também há espaço para mães com recém nascidos. Na Casa Sol Nascente, o lugar é para pessoas com o HIV. O lugar conta com 18 leitos, 15 deles ocupados com pessoas que vem de todas as partes do país. A maioria vem do serviço hospitalar, outras são retiradas das ruas e há, também, os que às famílias pedem ajuda.

Cristiano Gabriel é enfermeiro e coordena os trabalhos. Ele conta com o apoio de mais cinco técnicos, além médicos, psicólogas e terapêuticas.

Na Fazenda também é produzido cosméticos. Conta ainda com padaria. Diariamente são produzidos quatrocentos pães. Na fábrica de água sanitária o ritmo de trabalho é forte. A produção é de aproximadamente 10 mil litros de água sanitária. As garrafas, tampas e as embalagens são todas produzidas pelos acolhidos. Também produzem uma espécie de tábuas plásticas para a confecção de bancos.

Parte da produção é usada na própria Fazenda. A outra é comercializada.