Mais de 80 crianças, vítimas de abuso e exploração sexual, foram atendidas no AP em 2017 – Correio Amapaense

Mais de 80 crianças, vítimas de abuso e exploração sexual, foram atendidas no AP em 2017

Dados são do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual. Nos quatro primeiros meses deste ano, já são 28 casos atendidos.
Por: Claudia Cavalcanti

 

 Foto: Karol Levy e Honorato Jr.

O dia 18 de maio é marcado como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em 2017, 85 vítimas foram atendidas pelo Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Savvis) do Pronto Atendimento Infantil (PAI), que atende vítimas de 0 a 12 anos. Nos quatro primeiros meses de 2018, já foram atendidos 28 casos.

Acima de 12 anos, as vítimas do sexo feminino devem procurar atendimento no Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML) e as do sexo masculino o Hospital de Emergência (HE). O serviço funciona 24 horas nas unidades. No HMML foram registrados atendimentos a 63 meninas e mulheres vítimas de violência sexual.

Já no HE não foi registrado nenhum atendimento, o que não significa que não houve casos de abuso, pois muitas vítimas deixam de buscar ajuda por medo ou por vergonha, principalmente os homens.

“É essencial que a criança ou adolescente seja encaminhada em até 72 horas, após a suspeita do fato, para poder receber um atendimento adequado e para que ela receba as medicações retrovirais, que previnem Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/AIDS), e pílula do dia seguinte para as meninas, para evitar uma gravidez indesejada”, orientou a enfermeira responsável pelo Savvis, Kátia Cilene Cardoso.

Além dos cuidados médicos, as vítimas recebem avaliação com equipe multiprofissional de psicólogos e assistentes sociais. Segundo Kátia Cilene, no primeiro atendimento é realizada uma série de exames laboratoriais para detectar se a criança pode ter contraído algum tipo de doença sexualmente transmissível, mas o grande problema ainda é a resistência das famílias em procurar ajuda.

“Grande parte dos agressores faz parte da família das vítimas, então, isso ainda inibe alguns pais. Outro problema é a evasão dos pacientes, já que o acompanhamento médico/hospitalar das vítimas dura seis meses, onde são feitos exames laboratoriais e observação da situação clínica de cada criança com a avaliação do pediatra”, explicou Cilene.

O que fazer em caso de suspeita?

A indicação é que os pais ou responsáveis da criança procurem primeiro o Conselho Tutelar ou o Savvis, HMML ou HE. Isso é importante para que a possível vítima receba, imediatamente, os primeiros cuidados. Após isso, a família será encaminhada para registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.) em uma delegacia e realizar o exame de corpo de delito, que poderá confirmar ou não a agressão e onde será feita toda a parte jurídica.

É feito constantemente um trabalho de sensibilização com os parceiros que fazem parte da rede de atendimento das vítimas, para que a família fique ciente dos procedimentos que deve seguir.

Kátia explica que a população ainda é muito centrada em culpar o agressor, não no cuidado da vítima. “Isso, a gente vê muito frequentemente que a família chega aqui e está mais preocupada de ir à delegacia prestar queixa e prender o agressor do que cuidar da saúde da vítima”, avalia a enfermeira.

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