‘Os mísseis estão caindo como chuva’: o drama dos civis em Ghouta, enclave rebelde na Síria

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‘Os mísseis estão caindo como chuva’: o drama dos civis em Ghouta, enclave rebelde na Síria

home carregando criança ferida
 imagemAFP

Mas as consequências do ataque têm sido dramáticas para os moradores. O número de mortos em dois dias de bombardeios já chega a 250, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês), instituição baseada em Londres. Pelo menos 50 crianças estariam entre as vítimas.

Paciente ensanguentado em hospital na Síria
REUTERS
Menino ferido
 imagemAFP
Image captionPelo menos seis hospitais teriam sido atingidos nos bombardeios, segundo porta-voz da ONU
O que está acontecendo em Ghouta?

 

 

Quão ruim é a situação?

Um médico local disse à União das Organizações de Cuidados Médicos (UOSSM, na sigla em inglês) que a situação em Ghouta é “catastrófica”.

“As pessoas não têm para onde se voltar”, disse ele. “Elas estão tentando sobreviver, mas a fome decorrente do cerco as enfraqueceu.”

Outro médico ouvido pela BBC disse que cerca de 100 pessoas estão morrendo a cada dia e que hospitais, escolas, mesquitas e lojas viraram alvos de mísseis.

 

Criança caminha perto de construções danificadas por ataques na cidade de Douma 
imagemREUTERS

O que mais está acontecendo na Síria?

Nesta terça-feira, forças pró-governo entraram no enclave curdo de Afrin, ao sul da fronteira turca.

A Turquia está tentando expulsar as milícias curdas, que têm autonomia parcial na área e pediram ajuda às força militares sírias.

A Síria classificou a ofensiva turca como um “ataque flagrante” à sua soberania – mas a Turquia insistiu que não vai recuar.

As forças do governo sírio também estão realizando ofensivas na província de Idlib, no noroeste do país.

Segundo a ONU, mais de 300 mil pessoas foram deslocadas pelos combates em Idlib desde dezembro.

prédios bombardeados
 imagemGETTY IMAGES

Como a guerra começou?

Os conflitos na Síria tiveram início em 2011, com a resposta violenta do governo aos protestos pedindo mais liberdade no país, inspirados na Primavera Árabe.

Simpatizantes do grupo antigoverno começaram a pegar em armas – primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões.

Ao longo dos meses, o conflito adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.

Diante do caos, grupos extremistas, como o autodenominado Estado Islâmico (EI), dominaram partes do país e passaram a ser combatidos por forças internacionais, principalmente dos Estados Unidos.

Os últimos redutos urbanos do EI foram retomados no fim do ano passado. A guerra entre rebeldes e as forças de Assad, porém, continua.