Por sonho de ter celular, menino de 9 anos passa a recolher latinhas no interior de SP

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Menino de Cachoeira Paulista junta latinhas para realizar sonho de comprar um celular

Menino de Cachoeira Paulista junta latinhas para realizar sonho de comprar um celular

Pelas ruas de Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, o pequeno estudante Hidêque Souza, de nove anos, vai caminhando com os olhos atentos nas lixeiras. Nelas, costuma encontrar as latinhas de alumínio que tem recolhido para realizar um sonho: comprar um celular.

Hidêque deseja um smartphone não somente para se divertir. Com as aulas à distância por causa da pandemia do coronavírus, ele quer o aparelho celular para estudar e fazer as tarefas da escola. No momento, há apenas um smartphone na casa para ser dividido com a mãe e os outros três irmãos.

Hidêque Souza recolhe latinhas em Cachoeira Paulista — Foto: André Bias/TV Vanguarda

Hidêque Souza recolhe latinhas em Cachoeira Paulista — Foto: André Bias/TV Vanguarda

A família, que vive em uma residência sem água encanada, não tem condições de comprar mais um smartphone. Em vez de lamentar, Hidêque tem usado o próprio esforço para conseguir o que deseja.

“Vi na televisão um monte de crianças com celular. Também vi no jornal que as pessoas juntavam reciclagem. Daí pensei em juntar latinhas para comprar um celular. (…) É para entrar no whatsapp, Facebook, fazer as tarefas da escola, jogar joguinhos…”, contou.

Hidêque Souza estudando com os irmãos — Foto: André Bias/TV Vanguarda

Hidêque Souza estudando com os irmãos — Foto: André Bias/TV Vanguarda

O quilo das latinhas vale, em média, R$ 3,50. Ainda faltam alguns quilos para ele conseguir o dinheiro necessário para a compra. Mas, antes mesmo de alcançar a meta, já tem dado exemplo de perseverança.

O exemplo foi reconhecido pela vizinhança. A história dele foi divulgada em redes sociais por uma vizinha. As fotos mobilizaram outras pessoas, que tem doado latinhas para o garoto. Ele até chegou a ganhar um celular de uma pessoa que viu a publicação. O aparelho, entretanto, estava quebrado.

Hidêque Souza tem recebido doações de latinhas — Foto: Arquivo pessoal

“No começo, levei até um susto. Pensei: “ah, não vai dar muito certo”. Mas deixei, né. É algo válido também. A gente tem que dar força. Depois, comecei a ver e pensar: “nossa, com 30 anos eu não tenho essa atitude que ele tem, de sair e catar latinhas”, elogiou.

“Recebi uma mensagem de uma moça, que me disse: ‘nossa, eu estava em começo de depressão. Abri o Facebook e vi a história do seu filho. Me motivou tanto que estou até já na rua andando’. Ela disse que ele inspirou ela e a tirou da cama. Essa força de vontade, de conseguir o que quer, motivou muitas pessoas”, acrescentou Maíra Souza.

Hidêque Souza ao lado da mãe — Foto: André Bias/TV Vanguarda

Hidêque Souza ao lado da mãe — Foto: André Bias/TV Vanguarda

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