Turnê de Roger Waters no Brasil será investigada – Correio Amapaense

Turnê de Roger Waters no Brasil será investigada

   Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Jorge Mussi autorizou a abertura da ação que foi apresentada pela campanha de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, contra Fernando Haddad em decorrência da turnê do ex-Pink Floyd Roger Waters.

A defesa afirma que as mensagens disseminadas pelo cantor são de “extrema gravidade” e demonstram “premeditação e o explícito propósito de denegrir” a imagem de Bolsonaro. Os advogados alegam que a intenção era “causar nos telespectadores/fãs uma forma de repulsa”, sendo uma evidente “campanha negativa” que não condiz com a realidade. Ainda, dizem que “os ataques possuem grande semelhança conceitual com a propaganda produzida pelo PT”, registrou O Antagonista.

Turnê marcada por militância e polêmica

Em seu primeiro show no Brasil, que aconteceu na capital de São Paulo, Waters mostrou no telão de seu palco alguns exemplos de países que teriam líderes políticos “neofascistas”. Jair Bolsonaro aparecia, seguido do jargão esquerdista “Ele Não”. No intervalo, meninos e meninas de comunidades pobres vestiam uma roupa de prisioneiros. A ação rendeu uma vaia de mais de 5 minutos ao cantor que, sem entender o que estava acontecendo, colocou as mãos na cabeça em sinal de desespero. O segundo show, também em São Paulo, foi marcado de vitimismo de Waters. Ele exibiu no telão uma tarja sobre o nome de Jair com o escrito: “ponto de vista político censurado”. Na apresentação que ocorreu em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, apoiadores de Bolsonaro inflaram um pixuleco próximo ao local como forma de protesto. O show no Rio de Janeiro foi marcado por homenagens a Marielle Franco, vereadora do PSOL que foi assassinada em 14 de março.

Ministro da Cultura acusa Waters de campanha ilegal

Em entrevista à Folha, o ex-Pink Floyd disse: “Está claro que não vai fazer nada para romper com o sistema vigente. Ele [Bolsonaro] vai acelerar ao máximo essa onda que está destruindo o mundo. Vai facilitar as coisas para quem está roubando dinheiro das pessoas pobres. Vai militarizar a polícia. Vai tornar tudo mais difícil para as classes trabalhadoras. Grito isso para quem quiser ouvir. É o que vai acontecer se esse cara for eleito”. Nessa mesma entrevista, Waters criticou o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, que havia se manifestado contrário a militância política em apresentações artísticas.

Em resposta a entrevista, Sérgio Sá Leitão usou seu Twitter para afirmar que Roger Waters teria recebido cerca de 90 milhões de reais para fazer “campanha eleitoral disfarçada de show ao longo do 2º turno”. A declaração também foi utilizada pela defesa de Jair Bolsonaro para o pedido de abertura processual. Veja:

Roger Waters recebeu cerca de R$ 90 milhões para fazer campanha eleitoral disfarçada de show ao longo do 2º turno. Na Folha, chamou Bolsonaro de “insano” e “corrupto”. Sem provas, claro. Disse aos fãs que não voltará ao Brasil caso ele ganhe. Isso sim é caixa 2 e campanha ilegal!

Pedido de visita para Lula

Neste sábado, 27, aconteceu no Estádio Couto Pereira o penúltimo show de Waters em Curitiba, na capital Paranaense onde o ex-presidente Lula se encontra preso desde abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Aproveitando sua passagem na cidade, o cantor entrou com um pedido na Justiça para conseguir conhecer o criminoso petista. Os advogados contratados por Waters alegavam que Lula é uma “personalidade de reputação mundial na defesa dos direitos humanos”. O cantor também solicitava a presença de um tradutor, pois não fala português e Lula não domina o inglês, conforme divulgou a coluna de Mônica Bérgamo. O pedido foi negado.

A última apresentação do cantor britânico será no dia 30, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

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