Veja cargos que o governo Bolsonaro já entregou ao Centrão

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O presidente da República, Jair Bolsonaro, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia

Foto: Isac Nóbrega – 14.mai.2020/PR

Enquanto caminha o inquérito sobre a suposta interferência na Polícia Federal, o presidente da República, Jair Bolsonaro, vem articulando sua aproximação com o Centrão, grupo de partidos que ocupa quase metade da Câmara dos Deputados, com a indicação de membros do bloco a cargos importantes na administração pública.

O Centrão reúne partidos de centro e centro-direita que, historicamente, não costumam condicionar seu apoio às ideologias dos governos de ocasião, mas aos cargos que consegue ocupar na administração federal.

Em troca do apoio ao governo federal dentro do Legislativo e da contenção de um eventual pedido de impeachment, Bolsonaro já entregou seis nomeações em postos de liderança ao Centrão. Entre os partidos atendidos estão o MDB, o PP, o PL, o Republicanos e o DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia — em cuja mesa repousam dezenas de pedidos de impeachment de Bolsonaro.

 

Com os cargos oferecidos até o momento, Bolsonaro já atingiu os partidos de quase 200 dos 513 deputados. Esta cifra deve aumentar, já que outras nomeações continuam sendo negociadas.

Um dos cargos que deve entrar em disputa é a Secretaria Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde. O atual ocupante da vaga, Wanderson de Oliveira, deixou o cargo. Seu substituto foi prometido ao PL, apurou a CNN.

Confira abaixo a lista de políticos e partidos do Centrão beneficiados pela estratégia do presidente para garantir apoio no Congresso Nacional:

Carlos Marun (MDB-MS), conselheiro de Itaipu 

Filiado ao MDB, Carlos Marun foi ministro da Secretaria-Geral no governo de Michel Temer por um ano, entre 2017 e 2018. Como deputado federal, ficou conhecido nacionalmente por sua defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e chegou a votar contra a cassação de seu mandato.

O mandato de Marun no conselho de Itaipu terminaria neste mês, mas ele foi reconduzido ao cargo por Bolsonaro, e permanecerá no cargo até 2024.

José Carlos Aleluia (DEM-BA), conselheiro de Itaipu 

Quem também foi reconduzido para o conselho de Itaipu em maio, também por quatro anos, foi José Carlos Aleluia, do DEM. Deputado federal por seis mandatos, Aleluia não conseguiu se reeleger para a Câmara em 2018. Ele é presidente do Democratas na Bahia e grande aliado do presidente nacional do partido, o prefeito de Salvador, ACM Neto.

Fernando Marcondes de Araújo Leão (Avante-PE), diretor do DNOCS 

Apesar de filiado ao Avante, Fernando foi uma indicação do Progressistas (PP) para a diretoria do DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra as Secas), cujo orçamento previsto para este ano é de R$ 1 bilhão.

Mesmo sem ocupar cargos eletivos, o pernambucano fez parte do PTB de Roberto Jefferson por 32 anos. Ele se desligou do partido apenas em dia 16 de abril, quando passou a constar nos quadros do Avante, outro partido do Centrão.

Irmão do deputado federal Sebastião Oliveira (PL-PE) e sobrinho do deputado estadual Rogério Leão (PL-PE), Fernando assumiu a diretoria do DNOCS em 6 de maio.

Tiago Pontes Queiroz, secretário do MDR

Em 7 de maio, Tiago Pontes Queiroz foi nomeado para chefiar a Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Queiroz foi uma escolha do Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira, de São Paulo. A indicação foi assinada pelo ministro Braga Netto, da Casa Civil, e não por Rogério Marinho, chefe da pasta.

O novo secretário já ocupou cargos no Ministério da Saúde no governo Temer, e sua passagem pela pasta lhe rendeu um processo por improbidade administrativa. O Ministério Público Federal acusa Queiroz e outros quatro funcionários da pasta de “causarem o desabastecimento de medicamentos por vários meses para centenas de pacientes beneficiários de ordens judiciais.”

Garigham Amarante Pinto, diretor de ações educacionais do FNDE

Garigham Amarante Pinto foi nomeado para a diretoria de ações educacionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em 19 de maio. Ele foi assessor do Partido Liberal (PL) na Câmara e é próximo ao presidente da legenda, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado a 7 anos e 10 meses de prisão em 2012 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no julgamento do Mensalão. Costa Neto recebeu perdão da pena em 2016, mas se manteve longe dos cargos eletivos.

Paulo Roberto Ramalho, diretor de tecnologia e inovação do FNDE 

Nesta segunda-feira (25), o Diário Oficial trouxe a nomeação de mais um aliado do Centrão para a liderança de uma diretoria do FNDE. Paulo Roberto Ramalho, novo diretor de tecnologia e inovação, também foi indicado pelo PL de Valdemar Costa Neto, e será um dos responsáveis por gerenciar os R$ 54 bilhões destinados ao Fundo.